Foi há 3 anos. Lembro-me como se fosse hoje, do primeiro dia depois da mudança. Era dia 1 de Maio de 2022.
Acordei, tirei um café e sentei-me no pátio a realizar o que estava realmente a acontecer. Quase que a beliscar-me, e ouvi o que nunca tinha ouvido antes: silêncio.

Mas não era o silêncio da cidade à noite, quando tudo acalma. Era outro. Mais denso. Mais cheio.
Era o som do vento entre as árvores, do rio a correr, dos pássaros, do meu próprio corpo a respirar.
Era o tipo de silêncio que não se impõe – acolhe.

Viver fora da cidade ensinou-me isso: que há ruídos que nem sabemos que carregamos até deixarmos de os ouvir. O barulho constante, os alertas, a sensação de que estamos sempre atrasados, de que falta qualquer coisa.

Aqui, o tempo passa diferente. Não é mais lento – é mais presente.

Ainda me lembro de quando precisava de ruído para me distrair. Agora preciso de silêncio para me encontrar.

Este artigo não é uma ode ao campo, nem uma crítica à cidade.
É só um lembrete de que talvez o que nos falta não seja um plano novo, um emprego diferente ou um sítio mais bonito. Talvez o que nos falta seja silêncio e espaço para o escutar.

Carlos

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